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Crítica | A 3ª temporada de “Stranger Things” é boa?

Esta crítica não contém spoilers!

Cremos que depois de “Game of Thrones“, essa seja a estreia de temporada mais aguardada do ano. “Stranger Things“, o carro-chefe da Netflix está de volta, com muito mais horror, comédia e romance.

Assim como nas temporadas anteriores, a ameaça continua a mesma: o mundo invertido e o monstro da vez. Porém aqui o que importa não é a premissa e sim o desenvolvimento dos personagens. Na jornada(que é sensacional), as crianças agora adolescentes estão em pleno verão americano de 1985, tendo vidas normais e é aí onde a série acerta, os três primeiros episódios são os melhores, onde o humor corre solto. Desta vez, temos um shopping na cidade, onde a turma passa boa parte do tempo lá, tendo suas vidas de adolescentes. O grande destaque é a Eleven(Millie Bobby Brown) e a Max(Sandie Sink). Embora na temporada passada foi posta uma rivalidade entre as duas por conta de Mike(Finn Wolfhard), isso foi esquecido, elas criam uma amizade simplesmente admirável, onde ajuda muito a trama seguir em frente.

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Os adolescentes estão vivendo os dramas do amor, a puberdade, desapontamentos, brigas e amizades, com certeza os roteiristas tomaram muito cuidado neste ponto, onde poderiam tranquilamente confundir a série como uma comédia romântica dos anos 80.

Os mistérios são introduzido aos poucos, de forma que digamos bem natural, porém é aqui que mora o problema: é familiar demais,  sem se arriscar muito. Para resolver os conflitos, volta-se a dividir seus personagens em grupos. O melhor é composto por Steve(Joe Keery) Dustin(Gaten Matarazzo), a mais nova integrante do elenco Robin(Maya Hawke) e a irmã de Lucas, Erica(Priah Ferguson), uma personagem que só fazia pontas na história anteriormente mas devido ao apelo do público ganhou o seu devido destaque. Os quatro em tela formam um grupo tão incrível que fazem você torcer para que eles voltem a aparecer. Em homenagem a guerra fria (EUA X União Soviética), os personagens interpretam os velhos “americanos bonzinhos contra os russos malvados”, fazendo com que essa dimensão se torne grande demais e óbvio que isso não seria resolvido por cidadãos comuns em uma cidade de interior. Outro problema é a falta de originalidade; mesmo que antes isso era uma charme do programa, agora fica um pouco enjoativo, inclusive flashbacks são utilizados como muletas. Por episódio devem-se ter dois ou mais, incomodando um pouco aos que estão assistindo, porém nada que atrapalhe a experiência.

O núcleo adulto é colocado em segundo plano. Hopper(David Harbour) é a alma do grupo, com certeza boa parte das nossas risadas foram por conta dele, e no final você entenderá o motivo de tal destaque. Já a Joyce(Winona Ryder) não tem tanta sorte, ficando como coadjuvante, o que é uma pena em nossa opinião, já que ela se saiu muito bem antes, mas tudo é muito bem calculado e justificado pela direção.

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Já no principal grupo, alguns personagens se sobressaem dos demais, aliás, o elenco cresceu tanto que fica preestabelecido quais serão úteis nesta temporada e quais serão nas próximas, a Nancy(Natalia Dyer) tem o desenvolvimento mais sombrio, agora como estagiária de um jornal local, onde tenta investigar o porque da aparição e manifestação de ratos raivosos pela cidade. É com ela que acontecem as melhores e mais esperadas cenas desta temporada: o terror. Aliás, muito bem feito, que deixa o espectador apreensivo, tendo homenagens a “Alien“, os filmes de Stephen King e até mesmo o “Iluminado“, não vamos contar todos os que serviram de referência, a graça está justamente em descobrirem sozinhos.

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A direção está incrível por sinal, a química de cada núcleo é sensacional e algo muito difícil de se manter, mas eles conseguem tal feito com as mãos nas costas. Em questão de atuação, todos continuam muito bem, cada episódio tem a sua personalidade, e temos mais diretores além dos Irmãos Duffer.

A Netflix não economizou orçamento, porém, alguns efeitos visuais são inferiores do que outros, o monstro não está tão bem produzido e chega a ser um pouco tosco. Falando nele, outro personagem que foi introduzido no passado e agora tem seu momento é Billy(Dacre Montgomery) onde nos surpreendeu com sua atuação. Ele é como um “serial killer” e tem uma das cenas mais dramáticas desta temporada.

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Com uma  trilha sonora muito bem montada, eles acertaram em cheio(colocando até Madonna). A parte sonora muda em torno das cenas de cada episódio, com músicas divertidas em cenários alegres, tensas quando estão em busca de tensão e algumas baladas quando querem impor tristeza. É aí que o jogo muda, você sabe o que vai acontecer, e quando acontece, o roteiro te surpreende. Deixaram a entender que provavelmente esta será a última temporada que vai ficar “presa nessa bolha”, aqui o final fica em aberto, o espectador vai chorar, se questionar, e torcer para que não demore tanto pela 4ª temporada.

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"Stranger Things 3" é boa?

Atuação
Direção
Trilha Sonora
Roteiro
Fotografia

Nota POPTime

Mais sombria, com mais amadurecimento, porém com a mesma fórmula, a 3ª temporada de "Stranger Things" vai agradar a maioria do seu público.

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Daniel Montalvão

Formando em cinema e atualmente estudando gastronomia Instagram @dannmontalvao Twitter @radarpopp
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