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Crítica | 2ª temporada de “Big Little Lies” é boa?

Que a HBO produz as melhores séries do mercado isso não é novidade. Mas esse ano, a empresa nos trouxe séries e mini-séries excelentes como “Chernobyl” por exemplo, e a incrível segunda temporada de “Big Little Lies”. Em 2017, foi anunciada como uma mini-série e até então, a série baseada no livro de mesmo nome, surpreendeu o público e caiu no gosto da crítica com sua qualidade, fazendo a varredura no Emmy do mesmo ano de lançamento, onde a HBO encomendou a segunda temporada para alegria dos fãs. A questão aqui foi o receio se a história precisaria de uma continuação. Após sete episódios incríveis? A resposta é sim! Não só necessária mas também como um dos melhores desfechos de temporada.

O acerto feito aqui é que a HBO não contratou roteiristas para a continuação, foram direto na fonte, a autora do livro Liane Moriarty, que fez algo não tão comum na televisão, decidindo que os tópicos seriam abordados. A partir daí, o showrunner/roteirista David E. Kelley pôde desenvolver a sequência.

Aqui as consequências dos atos dos personagens é o foco, o que as mentiras podem fazer com a sua vida? E isso é muito bem trabalhado. Assim como na primeira temporada, eles optam em desenvolver a trama em arcos, agora são cinco protagonistas ao invés de três, umas se sobressaem sobre outras, mas nada com que deixem atrizes de lado, mesmo em pouco tempo de tela, a narrativa de cada uma flui muito bem.


Assim, no ano 1, o foco quase ficou em Medeline (Reese Whiterspoon). Nessa nova fase o principal ingrediente está em Celeste (Nicole Kidman), que sem dúvidas é a melhor. É exposto na trama como uma agressão doméstica pode tomar dimensões inimagináveis, como depressão, ansiedade, abuso de álcool e remédios, ou até mesmo ter dois filhos pra criar e se sentir completamente sozinha, com o medo de contar até mesmo para sua terapeuta os demônios que te seguem. Muito bem construído e dado para a pessoa certa interpretar, Nicole Kidman, está melhor do nunca. Ela está tão entregue ao personagem, tão pura e tão fresca que apostamos em uma indicação de melhor atriz em série dramática para o Emmy de 2020 e merecido! É simples e emocionante acompanhar toda a trajetória, entender que não há nada a superar se você não está disposto a perdoar, seguir em frente ou querer viver novamente algo que é, ao mesmo tempo, bom ou ruim.

A antagonista da vez ficou por conta de ninguém mais, ninguém menos que a atriz recorde de indicações ao Oscar e vencedora de três estatuetas: a sensacional Meryl Streep. Já era de se esperar que ela iria entregar um trabalho excepcional, grandioso e majestoso, que faz você agradecer ao universo de viver na mesma época que ela. A questão levantada é como lidar com a perda do seu filho. Mary Louise quer justiça, não acredita que ele simplesmente “caiu da escada” e suspeita que os envolvidos na cena do crime estejam falando a verdade, embora chegue apresentando compaixão e ajuda, ao poucos e ao decorrer dos episódios, é revelado a sua verdadeira intenção e Celeste além de tudo tem mais essa questão lhe desafiando.

Zoë Kravitz não está nossa lista de melhores atrizes, sempre achamos que ela faz mais do mesmo, tanto que na primeira temporada fez isso, mas aqui a história é outra. Com o peso da culpa que carrega, Bonnie tem os destroços que lhe resta dos seus sentimentos para serem avaliados. De que vale a justiça se nós mesmos não colaboramos para que aconteça? A atriz por incrível que pareça, tem em nossa opinião a melhor atuação até então, surpreendendo todos.

O núcleo da comédia fica por Renata (Laura Dern). É simplesmente ótimo e tão desenvolvido narrativamente, que o ditado popular “Não sei se eu rio ou se choro” cabe muito bem aqui. Merecendo passar por isso, mas ao mesmo tempo criando uma empatia de forma natural, fazendo o público torcer para a mesma conseguir superar os conflitos impostos. 

Agora vem o que fica em segundo plano(não que seja ruim, muito pelo contrário), como ambas tiveram mais destaques anteriormente,  Medeline (Reese Whiterpsoon) e Jane (Shailene Woodley) não possuem desafios à serem enfrentados. Uma está disposta a fazer auto-críticas dos seus erros e a outra finalmente luta e perdoa a vida que lhe deixará um gosto amargo, querendo assumir o controle de suas escolhas.

Sobre o elenco masculino não há muito que dizer, por ser uma série sobre mulheres no comando, propagando mentiras e abusos, todos estão bem em seus devidos lugares. O foco aqui não são eles, mas sim o elenco infantil, que também estão bem, mesmo perdendo espaço em comparação ao ano 1. Com o elenco feminino extremamente talentoso, o foco está nas consequências que o elenco feminino tende a enfrentar.

Sobre a direção, Andrea Arnold é quem assume. Mesmo tendo um artigo da IndieWare contando sobre a restrição criativa que ela teve, isso não teve o resultado negativo em tela, tudo está muito bem fluido, as escolhas dos planos parecem minuciosamente pensados. Tudo que está sendo mostrado em tela corresponde ao que cada personagem está sentindo, é uma excelente orquestra, tão bem feita que se possuir algum erro, passou muito bem despercebido por nossos olhos. Já na paleta de cores, seguem o mesmo de antes: muito azul, verde em tons papéis, cores frias e duras, não muito confortáveis ao olhos, mas que correspondem perfeitamente ao cenário em que as personagens estão passando, com muitas câmeras paradas porém com uma precisão invejável. 

E pra fechar com chave de ouro, a trilha sonora é impecável. Tanto nos momentos que faz um silêncio ensurdecedor(geralmente quando se mostra algo no passado e no futuro), quanto nas musicas que compõem a obra, nunca estão ali só por estar, geralmente canções regravadas, complementam tudo, como uma bela pizza com molho de tomate, massa e queijo.

Todas as temporadas estão disponíveis pelo aplicativo HBO GO.

Confira abaixo nossas considerações finais:

Que a HBO produz as melhores séries do mercado isso não é novidade. Mas esse ano, a empresa nos trouxe séries e mini-séries excelentes como “Chernobyl” por exemplo, e a incrível segunda temporada de “Big Little Lies”. Em 2017, foi anunciada como uma mini-série e até então, a série baseada no livro de mesmo nome, surpreendeu o público e caiu no gosto da crítica com sua qualidade, fazendo a varredura no Emmy do mesmo ano de lançamento, onde a HBO encomendou a segunda temporada para alegria dos fãs. A questão aqui foi o receio se a história precisaria de uma…
Big Little Lies se supera na 2ª temporada, responde todas as questões levantadas e tem um desfecho harmônico.

2° temporada de "Big Little Lies" é boa?

Atuação
Trilha Sonora
Direção
Roteiro
Fotografia

Big Little Lies se supera na 2ª temporada, responde todas as questões levantadas e tem um desfecho harmônico.

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Formando em cinema e atualmente estudando gastronomia Instagram @dannmontalvao Twitter @radarpopp