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Crítica | “Democracia Em Vertigem” revela os bastidores da ascensão e decadência do governo petista

O lançamento do documentário “Democracia em Vertigem” aconteceu dia 19 de junho na Netflix, mas antes de ser lançado, recebeu sua estreia aclamadíssima no Festival de Cinema de Sundace. Essa semana, o mesmo entrou na lista de melhores filmes de 2019, do The New York Times, sendo visto como um futuro forte candidato ao Oscar.

Com todo esse acontecimento de aclamação do documentário e também vermos que se tratava sobre o período do governo Lula e Dilma, decidimos assisti-lo e darmos nossa opinião se realmente o documentário passava algo interessante. Esta crítica não tem foco político, não estamos aqui para apoiar o PT, ou algum outro partido, mas sim mostrar nossa opinião ao cenário político que “Democracia em Vertigem” passa.

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O documentário tem várias cenas da infância e parte adulta da Petra Costa (diretora do longa), o que torna tudo mais íntimo e bastante pessoal, pois mostra a visão de como a Petra era engajada com o movimento da esquerda desde criança, pois os pais dela eram militantes na época da ditadura(tanto que a mãe dela foi presa em 1968 por um motivo não revelado). Com essas influências desde pequena ao movimento, o documentário mostra o seu primeiro voto, em que dá ao ex-presidente Lula em 2002, onde ganha as eleições, e a partir disso, a política de esquerda mais aclamada do país se inicia.

Por mais que esse documentário seja de esquerda, também se faz críticas ao Lula no seu segundo mandato, onde o presidente fez coisas que o mesmo criticava no passado, se envolvendo com as velhas oligarquias em que julgava no seu período antes da política e talvez, até mesmo atuando na política. O longa mostra de uma forma resumida e explicada esse período, também citando o Mensalão, escândalo que abalou e criticou o governo Lula naquela época, porém o ex-presidente conseguiu se “safar” das críticas, achando uma saída.

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Petra apresenta a saída do Lula no governo, com os incríveis 87% de aprovação no final do comando, e mostra a entrada um pouco indesejada de Dilma pela direita, tanto que a própria fala que não queria estar ali, revelando que o Lula quem lhe colocou lá com o Temer sendo seu vice, tornando disto um casamento arranjado e essencial para a vitória do PT onde futuramente iria acabar em traição e a queda da ex-presidenta . A partir desse momento, começa o ponto chave do longa e precisamente em 2013, onde Petra fala das decisões em que Dilma fez que acarretou a queda da popularidade dela, os protestos e a crise financeira do país. O ponto crucial foi quando ela “enfrentou” as empresas e bancos e a má reação aos protestos, onde a partir daí o governo foi vivenciando suas falhas.

Todos esses momentos são registrados pelos bastidores, então nós conseguimos entender melhor o que aconteceu na época e quais foram os envolvidos, motivos e “como aconteceu” tal queda de Dilma Rousseff. Nós também vemos como a Dilma foi caminhando nessa época.

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2016 foi a parte em que mais lembramos ter vivenciado e lembrado o que aconteceu, pois já tínhamos a opinião política começando a ser formada. Vimos que nem tudo era suave, mas sim muito mais complicado do que achávamos que era. Neste ano, várias informações passaram e não ligamos para isso, vendo o documentário, percebemos que se tinha muito interesse em tirar a Dilma do poder, como por exemplo o aliado do Temer, Romero Jucá e empresário Sérgio Machado que estavam em investigações da Lava Jato (investigação esta que também fez um ponto na queda da Dilma, fazendo vários do Partido dos Trabalhadores serem presos envolvidos em corrupção), e para sair das investigações, a “solução mais fácil era botar o Michel, segundo o áudio que vazou da conversa dos dois.

Com essa descoberta, provou-se que todos que falaram sobre a queda da presidenta não ser um impeachment e sim um golpe, estavam corretos. Revelaram também que a motivação de tirar a Dilma, era apenas por interesse dos políticos e empresários que literalmente comandavam(e ainda comandam) o Brasil, sem contar também como a nossa voz é quase nula, só ouvida quando eles querem, precisam e usam para promover eles mesmos.

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Uma parte interessante é o encontro de Dilma com a mãe da Petra Costa, pareceu um encontro sincero e de clima morno. Outra foi o momento do velório da Marisa, esposa do Lula, que veio a falecer por um derrame.

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O restante do longa foi sobre o julgamento da Dilma e o processo de prisão do Lula de uma forma intimista e simples, mas com bastante sinceridade, onde conseguimos ver a feição de decepção; tristeza; raiva e revolta em que causaram nos ex-presidentes.

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O que é muito evidente, foi o envolvimento do juiz Sérgio Moro nesse acontecimento e como ele influenciou a mídia ao seu favor, e a mesma influenciou a população a favor do Jair Bolsonaro. Também vimos a influência sobre a democracia: Se o Brasil é um país democrático, se existe democracia ou se há uma decadência dela no país.

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A fotografia do documentário também é muito linda, sendo cuidadosa, e tendo imagens de protestos do século passado até 2018 em boa qualidade.

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O documentário resolve várias questões e tira muitas dúvidas em questão da queda do governo da esquerda, e como a população foi se desapegando deles, vendo uma solução(que muitos podem não aderir à este termo) na extrema direita, em Jair Bolsonaro.

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Por fim, o “Democracia em Vertigem” trás uma versão dos bastidores da política dos últimos 10 anos, e como nós não temos poder neles, o que resta é lutar contra isso. Não temos como expressar uma opinião e criticar o documentário sem falar da política que vivenciamos e deixa-la de lado. O documentário é incrível, tem uma fotografia impecável e está sendo aclamado mundo a fora, mas a questão que fica é: vale a pena você assistir? Confira nossa nota abaixo:

Rodrigo Sobral

Cursando informática mas com paixão na arte. Redator do Portal POPTime.

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